Publicado em 22 de ago de 2018 por Mayara Armstrong

O quinto dia do festival começou cedo. No período matutino, exatamente às 9h, o público pode conferir a reprise dos filmes exibidos na noite anterior no Palácio dos Festivais, bastava apenas ir nas sessões que aconteciam no Teatro Elisabeth Rosenfeld, localizado na Câmara de Vereadores de Gramado. Lá, foram exibidas as reprises do longa estrangeiro Recreo, de Hernán Guerschuny e Jazmín Stuart e do longa nacional Simonal, de Leonardo Domingues.

Como já havíamos conferido ambos os filmes na noite anterior, fomos para a Sala de Debates do Hotel Serra Azul para participar das Coletivas de Imprensa Exclusivas, de ambos os filmes citados anteriormente.

Por estarmos criando conteúdos simultâneos direto com pouca equipe na Cobertura Exclusiva, optamos por participar apenas da Coletiva do filme Simonal, onde estavam presentes o diretor do filme, Leonardo Domingues, três dos filhos de Wilson Simonal, o produtor do filme, e três dos atores principais: Fabricio Boliveira, Isis Valver e Caco Ciocler.

Max de Castro, responsável pela trilha sonora original e um dos filhos de Wilson Simonal presente, ressaltou o quanto a produção o conectou com seu pai e, muito mais, com sua mãe, Tereza, interpretada por Isis Valverde, além de nos contar sobre a batalha de sua mãe para se soltar das raízes do machismo. Isis, por sua vez, falou sobre a importância da sua personagem:

“(…) Não nos livramos do machismo, não nos livramos das correntes, mas a gente tá cada vez voando mais alto”

E ainda faz uma metáfora sobre os desafios de interpretar Tereza:

“(…) Tinha que mostrar uma força dentro de toda aquela fragilidade, acho que o mais difícil era mostrar as pétalas, mas sem esconder os espinhos que ela tinha”

Já o ator Fabrício Boliveira interprete do próprio Wilson Simonal, ressaltou sobre a importância do filme por refletir acerca de questões sociais, políticas e raciais, como preconceitos existentes nos anos 70 que precisam ser debatidos pois perduram ainda nos dias de hoje. Dando depoimento pessoal de como é ser negro no Brasil, Boliveira realizou um discurso militante, totalmente realista e necessário.

* A Coletiva do filme Simonal terá uma matéria apenas sobre ela, em breve.

A tarde aconteceu a exibição de mais um curta metragem gaúcho, Arrieros, de Marcelo Curia, apresentado no Palácio dos Festivais as 13h30. Já as 16h, no Hotel Serra Azul, houve o debate desse curta, contando com a equipe técnica presente. A produção acompanha a cultura e o cotidiano dos peões argentinos que conduzem tropas de mulas levando equipamentos e mantimentos durante a temporada de escalada no Aconcágua, a montanha mais alta das Américas. Ao mesmo tempo que explora a geografia singular da Cordilheira dos Andes, conta o desaparecimento gradual dessa forma tradicional de trabalho.

Já ás 14h, no Teatro Elisabeth Rosenfeld, na Câmara de Vereadores de Gramado, aconteceu uma sessão da mostra acessível em parceria com IECINE do Rio Grande do Sul. A mostra apresentou o filme Teu Mundo Não Cabe Nos Meus Olhos, de Paulo Nascimento, com Edson Celulari e Soledad Villamil. O filme conta a história de Vitório, vivido por Celulari, um homem cego dono de uma famosa pizzaria, que, ao longo do filme, descobre a possibilidade de voltar – ou não – a enxergar. A sessão contou com legendas descritivas, intérprete de Libras e áudio descrição das cenas. A sala do teatro lotou!

Confira o trailler do filme:

No começo da noite, no Palácio dos Festivais, houve as exibições de mais dois curta e longas metragens da competição, sendo eles, na respectiva ordem: Catadora de Gente, de Mirela Kruel; Mi Mundial, de Carlos Morelli; A Retirada Para Um Coração Bruto, de Marco Antonio Pereira; e, Ferrugem, de Aly Muritiba. Todas as produções foram exibidas com áudio descrição.

O primeiro curta da noite emocionou muita gente, contando a real história de Maria Tugira Cardoso, a Catadora de Gente. Maria Tugira, mulher simples com uma história de vida surpreendente, dedica sua vida há mais de 30 anos catando lixo. O curta reflete diretamente sobre a desigualdade social do Brasil.

Depois fomos apresentadas ao longa uruguaio, Mi Mundial, que acompanha a história de Tito, um garoto com o sonho de ser jogador de futebol profissional. Depois de receber uma grande proposta e finalmente ter a oportunidade de tirar sua família da pobreza, seu sonho é frustrado e o garoto precisa recomeçar do zero.

O segundo curta da noite A Retirada Para Um Coração Bruto, é uma produção simples, inspirado em acontecimentos onde ainda há dúvidas sobre sua veracidade. Filmado na zona rural de Cordisburgo, em Minas Gerais, acompanha a vida tranquila e serena de seu Ozório, um senhor recém viúvo e solitário que acredita ter visto discos voadores e extraterrestres.

Ferrugem, o longa brasileiro que fechou a noite retrata um drama adolescente muito atual, sobre vidas agitadas, redes sociais, e toda consequência – em grande parte negativa – da vida de aparências que os likes e dislikes fantasiam.

Confira o trailer do longa:

Após as exibições da noite, se encerrou o quinto dia do 46° Festival de Cinema de Gramado.

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