Publicado em 21 de ago de 2018 por Mayara Armstrong

O quarta dia do festival começou cedo, com uma amostra infantil, o Universo Z, de Rogério Rodrigues. Foram exibidos quatro episódios de onze minutos cada, a sessão teve bate papo sobre a construção do desenho, os personagens e enredo.

Simultaneamente a exibição, estava acontecendo a reprise do longa brasileiro Mormaço, de Marina Meliande, no Teatro Elisabeth Rosenfeld, dentro da Câmara de Vereadores de Gramado. E os Cinema nos Bairros, que, como o próprio nome diz, levam amostra de filmes aos bairros. E todas as sessões – fora do Palácio dos Festivais – são gratuitas e de acesso livre para o público que quiser presenciar.

As 10h30, já começava o debate dos filmes exibidos na noite anterior. Sempre nesse horário, e no mesmo local – o Hotel Serra Azul – acontecem as Cabines de Imprensa Exclusivas. Hoje (20/08) houve o debate do filme Mormaço, onde elenco e produção técnica do filme estiveram presente debatendo sobre as etapas de desenvolvimento do filme; Sobre Ana, a personagem principal do longa, uma advogada que luta pelos direitos civis; A resistência civil; E, claro, reflexões sobre a frase chave do enredo: “Você percebeu que a cidade esta toda desaparecendo?

Confira o teaser trailer de Mormaço:

Na tarde, foram exibidos a mostra de filmes universitários no Teatro Elisabeth Rosenfeld, dentro da Câmara de Vereadores de Gramado. A amostra teve seu primeiro Módulo, com exibição de onze curtas nacionais e internacionais, tendo inicio as 14h. Já o segundo Módulo teve inicio as 16h, e foram apresentados oito curtas, dentre nacionais e internacionais.

Seguem lista:

Módulo 1

  • Dissimula, de Daniel Castro Brasil – Brasil – 2018, 6’48 – UNIRITTER
  • O Copo de Café – Uma Realidade Ignorada, de Thiago Casa Nova – Brasil, 15’ – UNISC
  • Get Yourself Together, de Mickey de Danna Frank – Israel – 2016, 20’ – TEL AVIV UNIVERSITY
  • Árvore, de Rebecca Patzner e Bia Santos – Brasil – 2018, 6’23 – SENAC
  • Teia Engole Aranha, de Camila Albrecht Freitas e Takeo Ito – Brasil – 2018, 17’ – UFPEL
  • Eclipse, de Jerrold Chong – Estados Unidos – 2016, 6’ – CALARTS
  • Aline na Cama, de Fernando Bassani – Brasil – 2012, 7’23 – PUCRS
  • Tereza, de Juliano Moreira – Brasil – 2014, 12’ – UNISINOS
  • Crowe’s World, de Marcelo Rodrigues – Brasil – 2018, 7’24 – ULBRA
  • Não Estou Só, de Nicolas Souza e Renta Rezende – Brasil – 2015, 9’51’’’ – PUCRS

Módulo II

  • Camila, de Gabriela Koll – Brasil – 2017, 15’41 – UNISC
  • Deus, de Vinicius Silva – Brasil – 2016, 24’ – UFPEL
  • Excelentíssimo Vampiro – O Filme, de Gustavo Mendes – Brasil – 2018, 1’20 – FSG
  • Moko, de Félix Vaunois – Nova Zelandia – 2017, 7’ – NEW ZEALAND BROADCASTING SCHOOL
  • Sob a Pele de Vênus, de Julia Sondermann – Brasil – 2014, 12’ – UNISINOS
  • Spacemen, de Edward Zorab – Reino Unido – 2016, 16’ – MEET FELM SCHOOL
  • Rancor, de Lucas Reis – Brasil – 2016, 18’ – ULBRA
  • Technicolor , de Rico Mahael – Alemanha – 2015, 5’ – GERMAN FILM AND TELEVISION ACADEMY BERLIN
  • Feijão, de Sofia Pedroso – Brasil – 2016, 8’ – ULBRA

Já a noite, no Palácio dos Festivais, antes de começar as exibições da noite, a equipe técnica de Minha Mãe, Minha Filha, próximo curta metragem da amostra competitiva, subiu ao palco para falar um pouco sobre a produção que iriamos assistir.

O diretor Alexandre Estevanato, falou um pouco sobre sua trajetória, ressaltando o quanto é difícil produzir cinema no Brasil – já que está na área a treze (13) anos – e o quanto estava grato por essa grande oportunidade. Contou um pouco sobre seu curta, o filme que conta a respeito da doença de Alzheimer, citando dados “(…) estima-se que aproximadamente 1,5 milhão de famílias no Brasil sofram com essa doença”. Estevanato declarou sua gratidão e reforçou que faz cinema para o público, destacando a importância do público e toda sua admiração. Encerrou sua fala revelando sobre um pouco mais sobre a essência de Minha Mãe, Minha Filha:

“(…) O filme na verdade é um grito que nós quisermos dar para levantar o dialogo a cerca desse tema, dessa doença, no sentido de como cuidamos dos cuidadores dessa doença tão triste. (…)”

O diretor apresentou sua esposa, a roteirista do filme Cintia Sumitani, para contar sobre a produção e roteiro do curta. Sumitani destacou diversos pontos em sua fala, como o quanto o filme é um desabafo que ambos – diretor e roteirista – fizeram depois de ouvir por três (03) anos confissões, tanto da mãe de Cintia quanto da mãe de Alexandre, que em um dado momento da vida delas, tiveram que abrir mão de uma parte da vida delas para cuidar de algum ente querido (a). A roteirista dedicou a exibição da noite a essas mulheres:

“(…) Eu queria dedicar essa exibição a essas mulheres, grandes mulheres que ficam anônimas em casa cuidando das pessoas, que abdicam da própria vida para fazer esse papel de cuidar de entes queridos, as vezes não tão queridos assim, as vezes somente pelo senso de obrigação e responsabilidade”

Após, as considerações do curta, ambos os diretores de Recreo, subiram ao palco para suas pontuações acerca do filme. Por ser um filme Argentino, o sotaque carregado dos diretores do longa prejudicaram, um pouco, o entendimento de suas falas. Porém, abriram a fala nos contando as informações básicas do filme, como gênero, nacionalidade, enredo e suas relações com os atores. O diretor Hernán contou sobre o desenvolvimento do filme, este, que, segundo ele, foi feito de forma tranquila, pensada e até “tomando umas cervejas”. Destacou os temas principais que longa o reflete, como o significado de ter filhos, de ser casado, da monogamia. Ressaltaram, também, sobre a felicidade em estar participando do Festival, e, também, brincou sobre o clima frio de Gramado.

Hernán Guerschuny e Jazmín Stuart, diretores de Recreo. Foto por: Kauana Amine.

E então, no primeiro momento da noite, presenciamos a exibição do curta metragem Minha Mãe, Minha Filha, de Alexandre Estevanato. Com duração de 16 minutos, o curta é um apelo comovente sobre como é cuidar de uma pessoa com Alzheimer, alguém que dedica a vida para cuidar de outro alguém, exigindo muita atenção, cuidado e, principalmente, paciência. A produção emociona, e nos faz refletir sobre a percepção tanto da cuidadora, quanto de quem é cuidado e sobre a importância do amor, empatia e altruísmo em nossas vidas.

Logo após conferimos Recreo, de Hernán Gurschuny e Jazmín Stuart. Recreo é uma comédia romântica argentina e o segundo filme estrangeiro a ser exibido na amostra competitiva de longas metragens. O filme quebrou o drama vivenciado anteriormente exibindo cenas de comédias entre amigos. O núcleo central é formado por três casais que decidem tirar um final de semana de férias. Focado especificamente a partir da vida adulta, seus desejos e nuances, que, consequentemente, acaba deixando outros aspectos importantes de lado.

Confira o trailer de Recreo:

Já no segundo momento da noite, aconteceu o momento mais esperado da noite, a homenagem a Edson Celulari por seus quarenta anos de profissão e a entrega do Trofeu Oscarito. Edson entrou no tapete vermelho ao lado de sua mulher Caren Roepke. O ator foi muito atencioso com todos os presentes, principalmente os fãs, que o chamavam de trás das grades de proteção e o ator fazia questão de dar atenção, conversar e tirar selfie com cada um deles.

Antes da entrega do premio, Celulari recebeu diversas homenagens, desde vídeos de toda sua trajetória nas telinhas e nas telonas, com participação especial de Soledad Villamil – atriz e cantor Argentina; Além de ter feito o apresentador, Leonardo Machado, “quebrar o protocolo do roteiro a risca” e dedicar algumas palavras ao ator, seu grande amigo. Celulari recebeu o troféu das mãos de um passista, relembrando o personagem que viveu em A Ópera do Malandro, que entrou dançando um samba com mistura de passos de capoeira. Edson abraçou o bom humor e o gingado corporal dançando ao lado de passista que o homenageou ao subir no palco.

Em seu discurso de agradecimento o ator se emocionou muito perante os presentes, ressaltou sobre a relevância do Festival de Cinema de Gramado para o cinema brasileiro e latino-americano. Contou aos presentes que quando começou sua carreira, há 40 anos, o Festival já era uma grande referencia. Brincou com o público, revelando que “(…) Agora, de mãos dadas com o Oscarito, ninguém me segura”. De acordo com Celulari, o Festival também deve ser reconhecido por ser um Festival de resistência, já que é nesse lugar – o Festival – onde desenvolvemos uma discussão em conjunto, pensamos e planejamos projetos futuros. O ator reforçou o quanto está honrado em receber essa homenagens e revelou que quer atuar dirigindo filme:

“(…) Me sinto muito honrado, é muito importante esse premio, não so para mim mas para o artista brasileiro, porque eu… A gente briga tanto e luta tanto pelo que faz, e a gente ainda tem tanto para fazer, tanto publico para mostrar, tantos projetos a serem mostrados, escritos, fotografados. E, eu acho que esse reconhecimento de hoje me levara para mais 40 anos adiante. (…) Gostaria de dizer isso, e que eu estou pronto para mais 40 anos de carreira… Não apenas como ator mas como diretor também

Edson Celulari com o Troféu Oscarito em mãos. Foto por: Kauana Amine,

Assistimos, também, ao curta metragem brasileiro, Aquarela. Com direção de Thiago Kinstenmacker e Al Danuzio, o curta, além de inspirado em fatos reais, é uma crítica social sobre o carcere, como se dão as relações hierárquicas da prisão e o papel da mulher, que nesse contexto, é vista como objeto de posse. A produção, assim como as outras, retrata temas sociais densos, como o contexto do carcere, violação de direitos e o machismo.

Os diretores, no discurso de apresentação do curta, reforçaram que o filme é, também, um filme de denúncia, inspirado em uma matéria de jorna que saiu em dezembro de 2013, e que, mesmo depois de quatro (04) anos – o tempo que levou para desenvolver essa estreia no Festival -, ainda é um tema que precisa ser discutido e (re)pensado. Danuzio, diretor, produtor, roteirista, e ator da produção argumentou:

“(…) Para terem uma ideia, 40% dos detentos hoje ainda não foram condenados, por isso estão na cadeia, e, também, a cada duas horas no Brasil uma mulher é assassinada”

As considerações de Aquarela se encerraram com uma provocação da produtora e atriz, Luna Gandra:

“(…) Aquarela é um filme que fala de liberdade, e, também, da falta dela. Eu queria fazer uma pergunta para as mulheres da plateia, quantas coisas nós temos que passar, quantas coisas nos atravessam apenas por sermos mulheres?”

O elenco de Simonal, de Leonardo Domingues, subiu ao palco para nos contar sobre a próxima produção a ser exibida. O diretor se demonstrou tímido e nervoso, sua fala se resumiu a agradecer a oportunidade e todos os envolvidos pela produção, co-produtores e patrocínios. O ator principal, Fabrício Boliveira, reforçou a fala do diretor, estacando os agradecimentos, falando sobre o personagem que interpreta no longa, o próprio Wilson Simonal, além de destacar um elemento chave de todo roteiro e história de vida do ator e do músico: O racismo.

Elenco e produção técnica do filme Simonal. Foto por: Kauana Amine.

Simonal trás reflexões e quebra tabus sobre a real história do músico que foi referência no Brasil nas décadas de 1960 e 1970, com prós e contras de sua história, o longa retrata, também, a relação que Wilson tinha com sua esposa Tereza, e o desenvolvimento da sua carreira: A ascensão ao – possível – declínio.

Após as exibições da noite, se encerrou o quarto dia do 46° Festival de Cinema de Gramado.

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