Publicado em 24 de ago de 2018 por Mayara Armstrong

Assim como os outros dias, a programação do sétimo dia de festival é fixa e começou cedo. No período matutino, o público pode conferir a reprise dos filmes exibidos na noite anterior no Palácio dos Festivais, bastava apenas ir nas sessões, às 9h, que aconteciam no Teatro Elisabeth Rosenfeld, localizado na Câmara de Vereadores de Gramado. Lá, foram exibidas as reprises do longa estrangeiro Averno, de Marcos Loyaza e do longa nacional, A Chave do Vale Encantado, de Oswaldo Montenegro – que substituiu a exibição do filme O Banquete, de Daniela Thomas.

E no hotel, quase que simultaneamente, acontecia as Coletivas de Imprensa Exclusivas apenas do longa estrangeiro, já que o filme do Oswaldo não fazia parte da mostra competitiva.

No começo da tarde, no Palácio dos Festivais, houve a mostra de longas metragens gaúchos, onde o filme Yonlu, de Hique Montanari foi exibido. E, mais tarde, as 16h, na Sala de Debates do Hotel Serra Azul, aconteceu o debate da produção com a participação do ator principal, Thalles Cabral. O filme acompanha a história do músico brasileiro, Vinícius Gageiro Marques, que leva o pseudônimo de Yonlu. No ano de 2006, o cantor acaba se suicidando aos 16 anos de idade e transmitindo ao vivo pela internet.

Por se tratar de suicídio, a média deve ter um cuidado dobrado ao transmitir um tema tão delicado e considerado tabu, pois, ainda há o estigma que de alguma forma influenciará outras pessoas a terem o mesmo comportamento. Esse foi o maior desafio do longa. Reforçando o cuidado dobrado que devemos ter com a internet – local onde o protagonista pesquisa como realizar o ato -, principalmente com crianças e adolescentes. O filme é dramático e envolvente consegue atrair e reter a atenção do público, mesmo sendo previsível – fato aceitável ao se basear em uma história real. Denso e necessário, o longa consegue transmitir a dor – e de certa forma a liberdade – do protagonista.

Confira o trailer:

Já ás 14h, no Teatro Elisabeth Rosenfeld, na Câmara de Vereadores de Gramado, aconteceu uma sessão da mostra Itália, em parceria com o Festival 8 e 1/2. A mostra apresentou o filme Hotel Gasgarin, de Simone Spada.

A noite, no Palácio dos Festivais, houve as exibições de mais dois curta e longas metragens da competição. No primeiro momento da noite, foram apresentados, respectivamente: À Tona, de Daniella Cronemberger; E o longa metragem estrangeiro, Violeta Al Fínde Hilda Hidalgo. Daniela ao subir no palco para fazer pontuações sobre o curta a ser exibido, ressaltou a importância de cada pessoa da produção presente homenageando cada um de maneira singular: Décio Gorini, músico responsável pela trilha sonora; Getsemane Silva, produtor executivo; Mariane Cunha, diretora de produção; E, Tainá Cary, atriz protagonista.

Cronemberger também destacou o quanto a equipe foi especial por ter criado um ambiente de apoio e confiança no set, pois, de acordo com ela isso refletiu no resultado do filme, além de ter agradecido a produção do Festival, aos presentes e às mulheres que inspiraram o filme e confiaram suas histórias:

“(…) À Tona é sobre violência, mas é mais do que isso. É um filme sobre a grandeza dessas mulheres que sobreviveram as mais dolorosas situações e se reinventaram, então agradeço demais a elas, ao Festival e a todo mundo. Muito obrigada!”

À Tona retrata a história de uma mulher que, inconscientemente, preferiu esquecer acontecimentos impactantes de sua vida. Percorrendo seu passado, aos poucos, ela consegue lembrar do que aconteceu. Pesado, dolorido e denso, o curta demonstra a violência contra a mulher, demonstrada principalmente por meio da linguagem sonora, sendo difícil para o publico digerir todo sentimento negativo visualizado.

Violeta, retrata a história de uma senhora de 72 anos, recém divorciada que leva a vida cuidando de seu jardim e desenvolvendo planos para sua casa. O longa é calmo, tranquilo, desenvolve a terceira idade de forma natural, libertadora e viva. Desmistificando conceitos, pré julgamentos e possíveis limitações, Violeta Al Fin debate sobre autonomia, liberdade e envelhecimento, além de trazer um novo olhar para o cinema mexicano / costa riquenho.

Confira o trailer:

E, no segundo momento da noite, foi apresentado o curta metragem brasileiro Kairo, de Fábio Rodrigo, e o longa metragem brasileiro, 10 Segundos para Vencer, de José Alvarenga Jr. 

Subindo no palco, o diretor do curta, Fábio Rodrigo, fez uma crítica ao entretenimento e glamur presenciados no Festival, ressaltando o quanto é bonito assistir ao filme, bater palmas e ir para casa, sem realmente se questionar sobre a realidade presente na obra e o quanto o preconceito, abuso de autoridade e classe social interferem na vida de inúmeras pessoas nos dias de hoje.

Ao assistir a obra, somos apresentados a Kairo, uma criança negra da periferia de São Paulo. Um dia, o menino é acompanhado por uma assistente social, que tenta entender as consequências dos últimos acontecimentos na vida da criança, seu mundo e seu olhar sobre o mundo.

Ao subir no palco, o diretor do longa, José Alvarenga Jr. agradeceu aos envolvidos pela produção do filme, ressaltou o quanto é importante para ele estar em Gramado para este evento e reforçou o quanto a história de Eder e Kid Jofre é uma história incrível que não merece ser esquecida. Já nas palavras do produtor:

“(…) Esse filme é um resgate de um herói brasileiro, nesse momento que estamos com muito poucos heróis. Se lembrar de brasileiros que fizeram história pelo lado do bem é importante, é fundamental

Os protagonistas do filme, Daniel de Oliveira e Osmar Prado deram suas considerações, juntos, sobre o longa. Ambos agradeceram a oportunidade, a equipe e toda produção. Osmar encerrou sua fala pontuando:

“(…) Esse grande herói levou o boxe que não tinha tradição nenhuma no Brasil a categoria internacional. (…) Eu terminaria dizendo o seguinte: Quando eu conheci o Eder casualmente, que eu não conhecia ele pessoalmente, falei: Aquela sua luta com o Eloy Sanchez foi uma luta incrível. E ele me disse uma coisa que a gente pode falar e que também pode se referir ao filme: Foi uma luta limpa. Nosso filme é um filme limpo

Osmar Prado e Daniel de Oliveira no palco promovendo o filme 10 Segundos para Vencer. Foto por: Kauana Amine.

10 Segundos para Vencer narra a biografia do campeão de boxe brasileiro, Eder Jofre, o menino de classe média baixa morador de Peruche, um bairro de São PauloOsmar Prado interpreta Kid Jofre, pai do personagem de Daniel de Oliveira, Eder Jofre. Ambos vivem um das maiores lutas da vida. Com uma relação de respeito, garra, determinação e luta, ambos superam seus limites no filme, entregando atuações humanas com forte carga dramática e realista.

Após as exibições da noite, o sétimo dia do 46° Festival de Cinema de Gramado foi encerrado.

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