Publicado em 12 de fev de 2018 por Carol Mendonça

Bright

20171 h 57 min
Overview

Num mundo futurista os seres humanos convivem em harmonia com os seres fantásticos, como fadas e ogres. Mesmo nesse cenário infrações à lei acontecem e um policia humano (Will Smith) especializado em crimes mágicos é obrigado a trabalhar em conjunto com um orc (Joel Edgerton) para evitar que uma poderosa arma caia nas mãos erradas.

Metadata
Director David Ayer
Runtime 1 h 57 min
Release Date 22 dezembro 2017
IMDb Id tt5519340
Images
Actors
Starring: Will Smith, Joel Edgerton, Noomi Rapace, Lucy Fry, Edgar Ramírez, Ike Barinholtz, Veronica Ngo, Alex Meraz, Happy Anderson, Dawn Olivieri, Matt Gerald, Margaret Cho, Joseph Piccuirro, Brad William Henke, Jay Hernandez, Enrique Murciano, Scarlet Spencer, Andrea Navedo, Kenneth Choi, Bobby Naderi, Carlos Linares, Bunnie Rivera, Bailey Edwards, Rosemary Stevens, Greg Joung Paik, Cle Shaheed Sloan, Robert Jekabson, Nadia Sloane, Chris Browning, Laura Vallejo, Brandon Larracuente, Derek Graf, John Duff, Jamal Duff, Craig Henningsen, Aaron V. Williamson, Joe Rogan, Tim Sitarz, Luis Moncada, Jos Viramontes, Aileen Burdock, Briana Henry, Lesley Shires, René Mena, Chelsea Rendon, Daryn D. Dupree, Blue Mesquita, Natalie Camunas, Regan Talley, Gabriel Ortega, Roberto Garcia, Kevin Vance, Ignacio Rodriguera, Eugene Villanueva, Adan Mendoza Jr., Hector Chavez, Raul Cuellar, Gabriel Lopez, Keenen Bray, Diane Boose

Bright estreia na Netflix com uma promessa arriscada: ser uma mistura de Dia de Treinamento e Senhor dos anéis, uma junção de dois gêneros adorados (o policial e o fantástico), mas o roteiro confuso e raso trás o pior dos dois gêneros.

Nossos protagonistas são o humano Daryl Ward (Will Smith), um policial negro e preconceituoso, que foi baleado por um deslize de seu parceiro e volta à ativa no início do filme, e Nick Jacoby (Joel Edgerton), Orc renegado pela própria raça ao se tornar um policial e que sofre discriminação dos outros policiais. Em uma patrulha, os dois se encontram a elfa Tikka (Lucy Fry), que é perseguida por um grupo elfico que planeja trazer de volta o Lorde das Trevas.

Se isso parece um pouco confuso, é porque realmente é: o filme quer ser uma fantasia épica (conta com seres mágicos, uma profecia, um “escolhido” e tudo mais que tem direito) ao mesmo tempo que quer ser uma crítica social sobre o racismo estadunidense e um filme pipoca com cenas de ação frenéticas. O resultado disso tudo espremidos em duas horas não poderia ser outro: um longa que tenta, mas não consegue alcançar nenhum desses objetivos.

A mitologia não é clara e o expectador não compreende bem o que está acontecendo. Isso promete ser explorado nos próximos filmes, mas só com esse filme, o mundo criado trás mais perguntas que respostas – motivo pelo qual muitos disseram que parecia o piloto de uma série.

Outro ponto e um dos principais problemas do filme e o que mais incomoda o expectador mais atento é a metáfora racial que o filme usa: como outros filmes recentes, Bright faz constantes analogias entre o atrito entre as espécies do filme e o conflito racial estadunidense. Estaria tudo bem, se a metáfora não fosse extremamente mal-feita.

Os orcs (que no filme, simbolizariam a comunidade negra) são marginalizados, têm “clãs”, instintos animalescos e sofriam com as consequências de ter se unido ao Senhor das Trevas. É compreensível onde o roteirista Max Landis queira chegar com essa metáfora, mas mesmo o Jacoby é mostrado repetidamente como estúpido e um wannabe humano – chegando a aparar as presas para se parecer com os colegas humanos.

Nessa bagunça, as personagens do filme também não ajudam: nenhuma delas tem um arco claro (o que torna difícil sentir medo por que qualquer uma delas, já que o espectador não tem nenhuma conexão) e na correria do filme, mal dá tempo de dar personalidade a essas personagens.

Mas nem tudo são espinhos no filme de Ayer: a maquiagem e caracterização são muito bem feitas e convence, assim como os cenários da cidade. As cenas de ação são bem produzidas, mas não parecem encaixar com o resto da história pelo roteiro medíocre.

Fora esses vários deslizes no roteiro, Bright vem como o primeiro de uma sequencia de filmes produzidos pela Netflix e por David Ayer, que prometem explorar melhor e com mais nuances um universo tão promissor. Mas até que os outros filmes saiam e possamos dar uma olhada mais minuciosa nesse mundo, Bright continua sendo um só mais um filme.

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