Publicado em 09 de fev de 2018 por Carol Mendonça

Gerald's Game

20171 h 43 min
Overview

Quando os jogos de sexo do marido correm mal, Jessie, algemada a uma cama numa remota casa num lago, enfrenta visões alucinantes, segredos negros e uma escolha terrível.

Metadata
Director Mike Flanagan
Runtime 1 h 43 min
Release Date 19 setembro 2017
IMDb Id tt3748172
Images
Actors
Starring: Carla Gugino, Bruce Greenwood, Henry Thomas, Chiara Aurelia, Kate Siegel, Carel Struycken, Adalyn Jones, Bryce Harper, Gwendolyn Mulamba, James Flanagan, Dori Lumpkin, Natalie Roers, Nikia Reynolds, Bill Riales, Chuck Borden, Mike McGill, Charles Dube, Kimberly Battista, Brad Spiers, Jon Arthur, John Ceallach, Tony Beard, Tom Glynn, Stu Cookson, Ben Pronsky, Joseph Chadwick Kinney

Basicamente com um cenário e quatro atores, o roteiro de Jogo Perigoso (Gerald’s Game) é esperto ao não ser um suspense convencional: ele se destaca justamente ao se aprofundar nos traumas de Jessie, externalizando seus fantasmas – medos e desejos. Nem por ser um filme de personagem ele se torna cansativo, com diálogos muito cínicos, alternando a história entre o momento atual e o passado. O filme se foca na busca pela sobrevivência nos menores detalhes, e assim o simples ato de pegar um copo de água mal-posicionado ganha uma importância gigantesca.

Poster for the movie "Gerald's Game"

© 2017 Intrepid Pictures − All right reserved.

Feito pela Netflix, Jogo Perigoso abraça o gore do livro homônimo de Stephen  King, com várias cenas que fazem o espectador se revirar na poltrona, e com o último ato do filme com uma cena particular de violência explicita, quase impossível de assistir.

Garla Gugino (Jessie) está ótima: ela carrega o filme nas costas e exibe o talento que raramente é capaz de mostrar. O espectador entra em sintonia com Jessie nos momentos certos – pânico, tristeza, medo, humor ácido e muita agonia, tudo na dose certa. Ela atua durante quase o filme inteiro com o corpo preso e debilitada, e ainda assim consegue dar uma das melhores (talvez a melhor) atuações de sua carreira.

A direção de Mike Flanagen é de novo destaque por fazer o máximo com o mínimo. Assim como em Hush: a morte ouve e Oculus, ele trabalha com poucos personagens e com pouquíssimos recursos, sem a extravagância que muitos diretores buscam, mas conseguindo prender o espectador com facilidade. Flanagan trata as cenas mais violentas do longa sem parecer desnecessário; apesar de muitas cenas explícitas, ele consegue dar a elas um senso de “importância” que nos une mais à Jessie, pois essas cenas ferem tanto o espectador quanto ela.

O final, porém, é das coisas mais brochantes: ao seguir o livro sem fazer edições necessárias, o filme se prolonga demais e tem um final que não conversa com o tom sombrio do resto da trama. Esse desfecho (que acaba sendo só um fan-service) impede o espectador de digerir aquela obra por mais tempo, e perde a oportunidade de acabar vinte minutos mais cedo.

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