Publicado em 21 de set de 2017 por Mayara Armstrong

Mother!

Overview

O relacionamento de um casal, é testado quando convidados inesperados chegam em sua casa, interrompendo sua convivência tranquila.

Metadata
Director Darren Aronofsky
Runtime
Release Date 13 setembro 2017
IMDb Id tt5109784
Images
Actors
Starring: Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris, Michelle Pfeiffer, Domhnall Gleeson, Brian Gleeson, Kristen Wiig, Jovan Adepo, Stephen McHattie, Cristina Rosato, Patricia Summersett, Xiao Sun, Marcia Jean Kurtz, Hamza Haq, Gregg Bello, Stanley B. Herman, Sabrina Campilii, Amanda Chiu, Eric Davis, Raphael Grosz-Harvey, Emily Hampshire, Abraham Aronofsky, Luis Oliva, Stephanie Ng Wan, Ambrosio De Luca, Arthur Holden, Henry Kwok, Alexander Bisping, Koumba Ball, Robert Higden, Elizabeth Neale, Scott Humphrey, Anton Koval, Carolyn Fe, Pierre Simpson, Mylene Savoie, Gitz Crazyboy, Shaun O'Hagan, Mizinga Mwinga, Genti Bejko, Andreas Apergis, Julianne Jain, Julien Irwin Dupuy, Bronwen Mantel, Amanda Warren, Mason Franklin, Laurence Leboeuf, Sarah-Jeanne Labrosse, Mercedes Leggett, Alain Chanoine, Kimberly Lafferriere, Deena Aziz, Chloë Bellande, Adam Bernett, Izabela Dąbrowska, Bineyam Girma, Hamza Haq, Oliver Koomsatira, Vitali Makarov, Danny MAlin, Serge Martineau, Fred Nguyen, Daniela Sandiford, Xiao Sun, Nathaly Thibault, Melissa Toussaint

Darren Aronofsky (Requiem for a Dream; Cisne Negro) é um cineasta conhecido por seus filmes complexos e polêmicos, sua característica principal é desenvolver longas psicológicos, forçando o telespectador (a) refletir sobre a vivência exposta em tela, em Mãe! não é diferente: O diretor entrega mais uma obra análoga do gênero que exige muito de você. O filme transmite sensações de estranhamento, demonstram cenas surreais difíceis de digerir ou interpretar, deixando público sem direção ao tentar apreciar a obra, ponto positivo e negativo do filme – ele não foi feito para todos os públicos.

Em Mãe! o diretor nos trás um roteiro simples, desenvolvido de forma inconsistente ao misturar fantasia com realidade (“isso é tão Black Mirror”), é bom no que se propõe, –  debater sobre extremismos e demonstrar um futuro muito próximo – porém peca em seu desenvolvimento. O longa conta a história de um casal, vivido por  Jennifer Lawrence e Javier Bardem. Ela, uma mulher leal ao seu companheiro, está reformando a casa onde vivem de modo a agrada-lo. Ele, um escritor de poesias, está em busca de inspirações para seus contos. Ambos vivem uma vida calma e tranquila, repleta de banalidades. A estabilidade do casal é abalada quando um médico (Ed Harris) e sua esposa (Michelle Pfeiffer) batem a porta do casal ao confundirem a casa com um hotel. Visando a receptividade, e buscando possibilidades para suas inspirações, o poeta rapidamente acolhe o casal em sua casa, atitude desaprovada por sua esposa.

Acontecimento que desencadeia uma série de fatores, o famoso: Efeito Borboleta. Assim, se inicia dualidade de opiniões frequentes, mostrando, de um lado, um homem narcisista em busca da ascensão social, reconhecimento e sucesso, e, do outro lado, uma mulher, cuja opinião é considerada insignificante, sendo-a, constantemente reprimida em sua própria casa, por todas as figuras que, inconscientemente, e, conscientemente, idolatram – sem auto crítica sobre – a voz masculina – ressaltando a incansável procura pela comodidade.

Image from the movie "Mother!"

© 2017 Protozoa Pictures − All right reserved.

O filme é ambientado em um único e totalmente dinâmico cenário, todos seus elementos contribuem para o resultado da obra, seja uma parede branca semi pintada ou objetos de decoração da estante, cada mínimo detalhe possui importância dentro do enredo e na expectativa do público. Aos olhos e sentimentos da mulher, a camêra acompanha a protagonista em uma jornada de raciocínio, mostrando como ela vê, interpreta e lida os acontecimentos a sua volta.

Jennifer Lawrence entrega uma atuação intrigante, à medida que seu marido anseia por prestigio e reconhecimento, tentando perseverantemente repassar uma imagem boa de si perante os outros, ela não entende o motivo de tamanha generosidade – Os outros são mais importantes do que eu?. Consequentemente começam suas indagações, ao mesmo tempo que está receosa por receber pessoas desconhecidas em sua casa e ser ignorada afetivamente pelo marido, não perde sua humanização, sabe quando deve se preocupar ou oferecer ajuda a quem necessita. Sua atuação é contida, humana e empática, há mistos de agonia, drama e muito desespero, tornando-se desconfortavel acompanhar sua trajetória. Com cenas pesadas de se assistir, o filme paira na seguinte questão: Até que ponto sou condizente com as práticas impostas? É algo que me incomoda? Consigo identifica-las? Faço algo para muda-las?

Javier Bardem aparentemente não precisa de muito para vivenciar seu personagem, este, que, ora oscila entre, sedutor e convincente, ora controlador e manipulador. Um dos grandes destaques da atuação vai para Michelle Pfeiffer, sua performance coadjuvante de hospede indesejada e inconveniente é digna de Oscar, a personagem cumpre seu papel: Desagradar e irritabilizar facilmente a protagonista e o público que a assiste.

* A partir daqui, a crítica passa para uma análise mais pessoal e psicológica, elencando indagações superficiais afim de gerar reflexão – Contarei a proposta do filme.

Image from the movie "Mother!"

© 2017 Protozoa Pictures − All right reserved.

Darren Aronofsky brinca – novamente – com metáforas e críticas sociais, em “mãe!” a crítica é voltada a religião enquanto doutrinamento/crença negativa onde há perpetuação do machismo e egocentrismo da sociedade, e debate sobre o papel da religião enquanto crença excludente e discriminadora nos dias atuais. As temáticas são inúmeras e polêmicas, pouco exploradas mas que necessitam de atenção, tais como: Objetificação do Corpo Feminimo; Romantização de Relacionamento Abusivo;  Violência Explicita contra a Mulher; Machismo; e a própria Religião em si.

Oportunizando indagações como: Se deus é o ser supremo, quem sou eu perto de deus? O que posso – e “tenho” – que fazer para agradar deus? Como a minha devoção cega pode afetar a vida das pessoas a minha volta? Por que vou dar atenção as palavras/sentimentos de uma mulher, enquanto o significativo é o a figura masculina? Por que daria atenção a alguém que ninguém está dando atenção? E por que ninguém está dando atenção?

O homem – tanto na ficção quanto na realidade – precisa constantemente da idolatração da mulher, ao mesmo tempo que não a valoriza enquanto ser humano: O outro só me é significativo quando possui algo de meu interesse?

Image from the movie "Mother!"

© 2017 Protozoa Pictures − All right reserved.

Mãe! é um título intrigante para o filme, simboliza uma inversão de papéis: E se deus não fosse representado a partir de uma representação física humana e masculina, e pudesse ser interpretado como uma mulher? Uma mulher que precisasse dar seu único filho para salvar a humanidade. A humanidade, depois de ser salva, agradeceria a mulher ou a discriminaria? Seria endeusada como um homem é ou seria menosprezada, esquecida e “apedrejada em praça pública“?

O filme é bom no que se propoe – gerar reflexão -, porém peca na forma que o faz, demonstrando cenas fortes, com grande carga emocional, podendo-as serem substituídas por cenas mais leves e de fácil compreensão – O que adianta fazer filme complexo se o público alvo dele não irá entende-lo?. Com cenas fortes e totalmente impactantes, Darren Aronofsky reformula sua forma de “entretenimento” – contrária a distração ou diversão –, consegue refletir um dos lados obscuros da sociedade, que muitas pessoas insistem em negar ou esconde-la, não se dando conta que é a partir da falta de imposição que nossos comportamentos se tornam condizentes com as práticas impostas e, que, cada vez mais, estamos caminhando para o extremismo.

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