Publicado em 23 de jul de 2016 por Mayara Armstrong

Tem coisas na vida de um fã de HQs que a gente precisa ver para acreditar!
Uma boa adaptação de A Piada Mortal é uma delas.
E cá estamos nós…

Escrita nos anos 80 por Alan Moore (autor de outras obras de sucesso, como Watchmen e V de Vingança), a Graphic Novel “The Killing Joke” rapidamente juntou uma legião de fãs por mostrar um lado novo de alguns dos personagens mais adorados da DC Comics, ao mesmo tempo que revela a origem do vilão mais famoso do Batman, o Coringa. Até hoje, é considerada uma das melhores graphic novels já escritas e a melhor história do Homem-Morcego. É fácil entender porque, então, a adaptação dessa obra é tão esperada. Mas será que cumpre o prometido?

Leia a sinopse da história:
Completamente enlouquecido, fora de controle e após fugir da prisão, o Coringa decide expandir o seu reinado de terror e transforma o Comissário Gordon e sua filha em alvos de sua onda de violência. A única chance de ambos saírem vivos é que Batman consiga capturar mais uma vez seu maior inimigo.

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Antes do filme entrar na famosa e adorada história, ele faz uma grande introdução narrada pela própria Barbara Gordon (BatGirl). A intenção? Provavelmente fazer com que nos importemos mais com os personagens antes das desgraças que viriam a ocorrer, criando uma conexão maior (e desnecessária) entre o Batman e a BatGirl do que a que é mostrada na HQ original. O tiro pode ter saído pela culatra um pouco, pois, apesar da introdução funcionar, ela não influencia na história que vem em seguida, fazendo o final ser um pouco mais forçado do que parecia ser em seu formato original. Batman tinha muito mais motivos para se revoltar.

Depois de meia hora de introdução, finalmente chegamos onde queríamos. A Piada Mortal começa. Batman indo visitar o Coringa e percebendo que seu arqui-inimigo está à solta novamente. E todo o caos que vem em seguida começa (sem spoilers aqui). Os fãs irão se deliciar ao saber que, SIM, é uma adaptação perfeita da HQ de origem. Cada página é transferida pra tela em detalhes chocantes e justificando, as vezes, a classificação etária altíssima que recebeu.  Os fãs mais puristas ficarão felizes com a história mantida tão fielmente, apesar de demorar um pouco para chegarmos nela.

Intercalando entre cenas atuais e flashbacks, o filme faz um ótimo trabalho em humanizar o Coringa ao mesmo tempo que mostra uma de suas piores ações. É nessas nuances entre o que é ser bom e mau, entre o que diferencia o Batman de seu inimigo, é que o filme se torna relevante. Paralelos entre eles são traçados o tempo todo, enquanto o palhaço do crime leva suas vítimas ao limite da sanidade. Batman não busca vingança aqui. Seu foco é reabilitar o vilão com o qual ele está destinado a lutar até um matar o outro.

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Algumas inconsistências de roteiro são criadas por causa da necessidade de uma introdução. No começo, vemos um Homem-Morcego que, de acordo com suas próprias palavras, já não tem mais esperança, que está em “um abismo onde nada mais importa”. Não é esse Batman que vemos quando a história clássica começa. Esse ainda é cheio de ideais e, após ver uma das piores coisas já feitas pelo Coringa, ele ainda encontra em si mesmo a vontade de ajudá-lo, de fazê-lo ver que não é necessário ser um vilão para sempre. A única coisa que importava pra ele nos primeiros trinta minutos se torna um pouco “irrelevante” nos momentos seguintes. Culpa do filme, não da HQ. 

As vozes fazem um trabalho excepcional aqui. Kevin Conroy é incrível reprisando o personagem que mais está acostumado a dublar. Tara Strong tem algumas falas que parecem mais lidas do que interpretadas, mas, no geral, faz um ótimo trabalho. Mas é Mark Hamill que rouba a cena mais uma vez com a voz que já está eternizada como o Coringa. Ele sempre disse que, no dia em que A Piada Mortal fosse adaptado, ele gostaria de ser a voz novamente, mesmo já “aposentado” do personagem. Se for mesmo seu último trabalho como Joker, estará saindo em plena glória.

Artisticamente falando, a animação é bem feita, apesar de ser muito mais escura do que a obra original. A movimentação é fluída e as intercalações entre passado e presente são muito bonitas de se ver. Talvez um pouco mais de fidelidade ao estilo original deixasse a animação com uma sensação nostálgica diferente, mas não significa em nenhum momento que a animação seja falha aqui. Transmite muito bem o clima pesado que a história possui.

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No geral, é uma adaptação que deverá agradar bastante os fãs da história original e ainda gerar boas conversas e problematizações sobre as ações do Coringa. Tem falhas quando tenta ser original em cima de algo já muito amado, mas, quando finalmente pega o pique do original, segue como uma beleza até seus últimos segundos. Como animação, uma das melhores histórias da DC Comics conseguirá atingir um público ainda maior e gerar ainda mais fãs para uma das obras primas de Alan Moore. E não pulem os créditos! Uma última cena pra amarrar ainda melhor os acontecimentos espera no meio deles. 

Assista o trailer: 

Confira também a versão fanmade do trailer acima, só que no visual da Graphic Novel original! 
Lindo de se ver:

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