Publicado em 17 de jan de 2017 por Mayara Armstrong

“Se gosta de finais felizes, procure em outro lugar”. É assim que o narrador, Lemony Snicket, nos introduz à terrível história dos irmãos Baudelaire. Violet, a mais velha dos irmãos e inventora da família, Klaus, o irmão do meio que adora leitura, e Sunny, a bebê de dentes afiadíssimos, viviam uma vida maravilhosa ao lado de seus pais. Porém, ao visitar a praia no que parecia mais um dia comum, recebem a trágica notícia de um incêndio em sua mansão do qual seus pais não conseguiram escapar. Os irmão então são obrigados a ficar com um parente distante de índole questionável, Conde Olaf. E aqui damos início às Desventuras dos irmãos Baudelaire.

No começo, o universo da série pode causar estranheza em quem está assistindo. O figurino, cenário e objetos apresentados logo nos levam a crer que a série se situa no passado, porém não demora muito para palavras como online e streaming serem jogadas na nossa frente, criando certa confusão. E é dessa maneira que o universo da série cria seu charme. É atemporal e ao decorrer da história encontramos características do fantástico. Seja nos animais da sala dos repteis, nas ações da bebê Sunny ou nos mistérios que rondam os irmãos Baudelaire.

E falando nos mistérios, diferentemente do livro estes são utilizados logo no começo da série, dando uma trama condutora intrigante para prender a atenção de quem está assistindo. Será que o incêndio na mansão dos Baudelaire foi realmente um acidente? Como Conde Olaf sabia da fortuna dos Baudelaire? E o que significa o símbolo em formato de olho visto diversas vezes em lugares diferentes?

É claro, é inevitável evitar as comparações entre o conde Olaf de Jim Carrey e Neil Patrick Harris. Enquanto o de Carrey utilizava de seu humor exagerado e cheio de expressões corporais para compor seu Olaf, o de Neil Patrick Harris é mais contido. Neil trabalha melhor o humor do personagem em situações cotidianas, mostrando sua impaciência, sua falta de noção e até mesmo sua burrice em momentos cruciais. O que também não elimina o fato de seu personagem ser realmente um vilão inescrupuloso e não deixar o público esquecer disso ao ameaçar constantemente as crianças, psicológica ou fisicamente; o Conde deixa bem claro que fará qualquer coisa para colocar a mão na fortuna dela. E para seu auxílio, Olaf conta com a sua trupe de atores um tanto quanto exóticos. A trupe, aliás, que ganha mais espaço na série, possuindo mais funções e personalidade, diferente do livro e do filme onde suas funções são mínimas.

Já as crianças cumprem muito bem seu papel. Violet, interpretada por Malina Weismann, passa a responsabilidade de irmã mais velha a qual de uma hora para outra fora obrigada a cuidar dos seus irmãos mais novos. O Klaus de Louis Hynes se mostra aqui uma criança hora intrigada com os mistérios, hora impaciente com as injustiças que vêm acontecendo em sua vida e de seus irmãos. E a bebê Sunny, interpretada por Presley Smith, pode ser a Baudelaire que causará mais estranheza ao público, pois foi utilizado computação gráfica para ressaltar suas expressões e atividades com seus dentes afiados, assim como a legenda que aparece para traduzir seus grunhidos. Tudo isso equilibrado em uma boa dose de fofura.

Além dos principais, outros personagens notáveis são apresentados na trama. Temos o Dr. Montgomery (Aasif Mandvi), o excêntrico herpetologista dono do Sala dos Repteis. Também conhecemos a Tia Josephine (Alfree Woodard), que possui síndrome do pânico, tendo medo de corretores imobiliários e várias outras coisas. E a simpática juíza Justice Strauss (Joan Cusack), vizinha de Conde Olaf. Por final, temos o próprio Lemony Snicket, personagem aqui interpretado por Patrick Warburton, narrando a história e sendo inserido na medida certa dentro dos cenários durante as cenas, fazendo o telespectador se questionar se o papel dele é realmente só de narrador.

Adaptando os quatro primeiros volumes da série de livros (ao total são 13, número aliás muito presente na série), Desventuras em Série fez um incrível trabalho para os fãs do livro. Várias cenas e diálogos parecem ser retiradas diretamente dos livros, assim como utilizaram-se de diversas referências que serão reconhecidas para quem terminou de ler a coleção. Já para o público que nunca tocou nos livros, a série pode causar estranheza no começo e soar um tanto quanto infantil, até porque foi baseada em um livro infantil. Porém, com cenários que se renovam, mistérios, um vilão sem escrúpulos com seus disfarces ridículos e a fofura de Sunny, Desventuras em Série é uma boa série para se divertir. Mas, é bom lembrar, se você quer uma história feliz, passe longe.

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