Publicado em 23 de nov de 2016 por Mayara Armstrong

Não sou muito de baixar jogos no meu celular – atualmente só tenho o jogo do Pewdiepie: Tuber Simulator. Mas estava com vontade jogar alguma coisa diferente sem precisar usar o computador, e entre as sugestões estava este SIM. Li nos comentários que várias youtubers estavam jogando e, aparentemente, o jogo era muito bom. Baixei só pra ver qual era a do jogo. Agradeço a todas as energias do universo por ter baixado.

SIM – Sara is Missing é um jogo aonde você encontrou um telefone e precisa encontrar a dona deste – a Sara. Dentro do telefone existe uma inteligência artificial, no estilo da Siri do iPhone, chamada IRIS, que te ajuda a desenvolver o começo do jogo e pede para você ajudar a encontrar a Sara, “sua dona”.

Como o telefone estava com a maior parte dos dados corrompidos, você tem que averiguar nas mensagens, nos emails, nas notas, nas fotos e vídeos por pistas sobre o que aconteceu com a Sara e aonde poderia encontrá-la. Ao ler as conversas e emails vamos descobrindo pouco a pouco mais detalhes sobre a vida de Sara: ela acabou de sair de um relacionamento, ela está estudando um certo assunto na universidade (esse eu considero spoiler, então não vou falar), e estava pesquisando sobre um assunto em específico, que, ao juntar com interesses de uma amiga, acabou que Sara está na situação atual.

E, por fim, existem várias finais para o jogo – tudo depende das decisões que você irá tomar durante o desenvolvimento do mesmo: vidas dependem de você e quais decisões você pode (ou não) tomar.

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Não gosto de dar spoiler de jogo, mas devo admitir que SIM – Sara is Missing leva o estilo de jogo de tomar decisões a um novo patamar, e me sinto da obrigação de usar um meme que eu não gosto: ISSO É MUITO BLACK MIRROR, MEU. O jogo é sobre os horrores da tecnologia móvel, o sentimento voyeurista de olhar através do telefone de alguém e a nossa própria identidade através de como usamos nossos próprios dispositivos móveis.

Pontos fortes: o jogo se reinicia logo depois que você termina um dos finais; o uso dos fones de ouvidos são uma experiência totalmente diferente ao jogo; a imersão dentro do jogo é incrível – eu realmente estava preocupada com o aconteceria com a Sara quando eu a achasse; o jogo é muito bem desenvolvido e com uma história bem interessante.

Pontos fracos: o jogo só está disponível em inglês, mas eu achei a linguagem do jogo bem simples, acredito que até mesmo quem tem só o basicão consegue jogar sem problemas; você não consegue saber quantos finais são sem procurar na internet; o jogo é curto demais.


Há duas semanas, o jogo Sara is Missing ganhou o Jury’s Honorable Mention e o Best Upcoming Game Awards durante o Primeiro IMGA SEA. A seguir, segue a entrevista com o Jeremy Ooi do Moonsoon Lab, que foi o principal responsável pela criação do jogo.

Entrevistador: Você queria passar uma mensagem sobre a tecnologia atual? 

Jeremy Ooi: A tecnologia se tornou uma parte essencial das nossas vida, e queríamos usar o jogo para explorar a nossa própria identidade através da lente de um telefone. Nós mantemos nossas informações mais importante dentro de nossos telefones e a nossa equipe queria analisar o quanto nós podemos descobrir sobre uma pessoa apenas mexendo no telefone dela. Nós também queríamos explorar temas como: fingir ser alguém em conversas online, as superstições das correntes de email, e relações pessoais entre os personagens.

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E: De onde você tirou a ideia de criar um jogo tão original:

JO: Na verdade, eu pensei nele em duas partes diferentes da minha vida. A primeira foi após jogar Her Story. É um jogo para PC aonde você tem que assistir um interrogatório e achar o assassino. O jogo simula um computador antigo dos anos 80 e usa imagens live action. Desde então, eu sempre quis explorar esse estilo de gameplay para o telefone.

Enquanto eu nunca tinha pensado em lançar algo tão louco, no entanto, outro jogo chamado “Replica” mudou isso. É um jogo para PC que simula um telefone celular onde você tem que descobrir uma trama terrorista. Eu joguei uma versão demo no PC desse jogo e achei que a idéia poderia realmente funcionar.

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E: Vocês ganharam dois prêmios durante o primeiro IMGA SEA, como você se sente sobre isso?

JO: É ótimo! Quando eu lancei a idéia, todos nós achávamos que este é o tipo de jogo que não venderia tão bem, mas que iria receber alguma atenção e talvez até ganhar alguns prêmios. Estou realmente surpreso que realmente se tornou realidade.

E: Quais são os planos para o futuro?

Não alcançamos todo o potencial do jogo e queremos fazer isso para o produto final, divulgando a história e refinando alguns mecanismos. Para este tipo de jogo, eu adoraria explorar a simulação de uma variedade de aplicativos populares, como Tinder, Snapchat ou Twitter, que eu acho que pode criar momentos de jogabilidade interessantes. Para outros tipos de jogos, eu gostaria de ver o quanto podemos explorar o meio móvel ainda mais e chegar a novas e interessantes formas de jogar com ele.


Finalizando, recomendo SIM – Sara is Missing para quem gosta desse estilo de jogo (e até pra quem nunca jogou mas quer saber como é). E aí… qual foi seu primeiro final?

Fonte da entrevista: IMG Awards

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