Publicado em 01 de out de 2017 por Paulo Almeidda

Quando anunciada a nova série do universo Jornada nas Estrelas, “Star Trek: Discovery”, os olhos dos geeks que sentiam faltam de uma boa série de exploração espacial estavam todos voltados para ela. Enquanto isso, num universo paralelo, a nave The Orville entrava em orbita pela primeira vez e passava despercebida. O intuito dessa postagem não é fazer você ignorar Discovery, mas sim dar chance para uma outra série que, mesmo tendo chego de surpresa, pode te surpreender tanto quanto a que você esperou esse tempo todo.

The Orville estreou 14 dias antes de Star Trek: Discovery com ótimos números de audiência. Infelizmente, não foi bem recebida pelos críticos, com uma média de 36/100 no Metacritic e 20% de aprovação no Rotten Tomatoes. E pode até ser que, vendo apenas o primeiro episódio, você pode achar que os críticos estão certos… mas a evolução que a série teve em apenas quatro episódios exibidos chega a ser absurda. Vamos por partes.

O Primeiro Episódio.

A série foi criada por Seth MacFarlane, o comediante criador de séries animadas como “Family Guy (Uma Família da Pesada)” e “American Dad!”. Só o nome dele já é capaz de fazer algumas pessoas revirarem os olhos. Não é realmente um humor para todos, mas foi assim que ele conquistou sua fama. Aos que não gostam de suas piadas, podem ficar tranquilos que o humor de The Orville é extremamente mais sutil, muitas vezes deixando de lado a comédia para ser uma ótima aventura com pitadas de drama. O humor negro de MacFarlane de vez em quando dá o ar da graça em The Orville, mas são raros os casos e não tiram o foco do resto.

A série começa quando um piloto do século XXV, Ed Mercer (interpretado pelo Seth MacFarlane em seu primeiro papel Live-Action em série de TV), encontra sua esposa Kelly o traindo com um alienígena azul. Um ano se passa, e ele aceita ser comandante de uma nave de exploração espacial chamada U.S.S. Orville, mas descobre que terá que trabalhar com sua ex-esposa enquanto isso.

É esse o momento em que eu paro um pouco e peço pra você não parar de assistir no piloto. É sim um episódio importante, tem muito o que explicar e que nos situar, e tem o nome de Jon Favreau na direção, também responsável por dirigir filmes como o primeiro Homem de Ferro (Iron Man, 2008) e a versão Live Action de Mogli – O Menino Lobo (The Jungle Book, 2016). Não, não é um grande episódio. É o pior dos quatro lançados até aqui e eu não to escrevendo esse texto pra justificar o porquê dele ser bom. Eu estou apenas dedicando um parágrafo para implorar ao leitor que ele ignore as opiniões dele por apenas um episódio. Que ele o assista, pois é necessário, mas que não pare nele. Que siga, pelo menos, ao segundo episódio. Os primeiros minutos do episódio são tão ruins que eu entenderia qualquer pessoa que desligasse a TV e nunca mais quisesse ouvir falar na série. Mas o que eu peço é que você não faça isso e resista, porque vale a pena.

Os Bons Episódios.

A partir do segundo episódio, quando não tem mais introdução nenhuma e todo o desenvolvimento de personagem acontece movido pelas missões e aventuras da tripulação, sem perder tempo com explicações, a série começa a brilhar. Ela não vai fazer ninguém gargalhar de cair no chão, mas ela mantém suas alfinetadas cômicas no nível certo para não distrair do que é mais importante: a aventura. No fim das contas, não é só mais uma série de paródia como esperavam que fosse ser. The Orville cria uma identidade própria muito rapidamente.

Todos os episódios depois do piloto têm discussões importantes a trazer à tona. Vão desde maltrato aos animais e subjugação do que os seres mais “lógicos” consideram inferiores até a discussões sobre importância da mulher na sociedade, cirurgia de redesignação sexual, fanatismo religioso e governo ditatorial. A série precisou de apenas quatro episódios pra provar que a coragem de Seth MacFarlane para falar sobre temas sérios de maneira alegórica é sim relevante. E faz imaginar o que mais ela terá pra mostrar nos próximos episódios. Até o momento, são 13 episódios confirmados.

Todo episódio tem uma missão a ser cumprida e são todas interessantes, contém risco real e influenciam nos episódios seguintes. Mas o que me deixa mais feliz em indicar uma série assim é o seu otimismo em relação a raça humana. Estamos tão acostumados a ver filmes e séries futurísticos em que destruímos tudo e não tivemos mais lugar para viver que é muito revigorante ver uma série que vai pelo caminho oposto. The Orville mostra seres humanos que abandonaram costumes destrutivos e que podem dizer coisas como “ainda bem que não fazemos mais tal coisa”.  É utópico, mas continua ótimo imaginar algo assim. Uma sociedade que aprende com seus erros.

Comparando as duas ficções científicas atuais, apesar da recepção negativa que The Orville teve ao estrear, atualmente ela ultrapassa Star Trek: Discovery em aprovação do público com nota 8.0 em comparação a 4.8 de Discovery. A minha interpretação é que, apesar da demora, o publico está começando a perceber que The Orville tem mais a oferecer do que ficar nas sombras de séries melhores sobre o mesmo tema.

E, mesmo depois de tudo isso, você pode assistir e dizer “realmente, não é pra mim”. E tudo bem. No fim, isso aqui pode ser só uma opinião pessoal que pouquíssimas pessoas vão compartilhar da mesma. Mas, enquanto lhes escrevo, eu acabei de assistir o quarto episódio da série e são cinco horas da manhã de um domingo. E o motivo de estar escrevendo ainda agora é porque eu não conseguiria dormir sem terminar. Sem colocar todos esses pensamento numa “folha”. Porque eu estou realmente impressionado e não quero que a série passe batido por aqui. Porque a série consegue trazer o clima clássico da série original de Jornada nas Estrelas, ao mesmo tempo que dá seu toque original e moderno, com temas atuais a serem abordados. Não vai convencer ninguém pela comédia, mas, se quiser uma boa aventura espacial, é a série que está procurando! 

Dê uma chance! Ou duas, para ser mais preciso!

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