Publicado em 18 de out de 2018 por Mayara Armstrong

A Casa do Medo: Incidente em Ghostland | Crítica

20181 h 31 min
Overview

Pauline acaba de herdar uma casa de sua tia e então decide morar lá com suas duas filhas, Beth e Vera. Mas, logo na primeira noite, o lugar é atacado por violentos invasores e Pauline faz de tudo para proteger as crianças. Dezasseis anos depois, as meninas, agora já crescidas, voltam para a casa e se deparam com coisas estranhas.

Metadata
Director Pascal Laugier
Runtime 1 h 31 min
Release Date 15 março 2018
IMDb Id tt6195094
Actors
Starring: Crystal Reed, Mylène Farmer, Anastasia Phillips, Emilia Jones, Taylor Hickson, Rob Archer, Adam Hurtig, Alicia Johnston, Erik Athavale, Kevin Power, Mariam Bernstein, Ernesto Griffith, Denis Cozzi, Sharon Bajer, Tony Braga, Paul Titley, Gordon Tanner, Paolo Bryant, Gas Attendant, Suzanne Pringle, Malick Laugier, Angela Asher

Após dez anos do seu polêmico filme Mártines, divisor de opiniões entre o publico, o cineasta francês Pascal Laugier tenta – mais uma vez – re(i)novar. Dessa vez, o diretor assume uma nova forma de representar o terror e suspense vivenciados nas telonas, movimento arriscado quando o público está acostumado com terrores genéricos e carregados de jumpscare. Apenas um dos últimos terrores lançados nos cinemas, Sobrenatural: A Ultima Chave, segue a linha de A Casa do Medo: Incidente em Ghostland, sendo muito mais psicológico. A diferença é que o ultimo é totalmente realista.

A história é bem conhecida – principalmente para os fãs de séries de investigação policial como Criminal Minds, Pauline (Mylène Farmer) mãe solteira de suas duas filhas, Beth (Emilia Jones e Crystal Reed) e Vera (Taylor Hickson e Anastasia Phillips) herda uma mansão de sua tia, logo, a família decide ir morar no local. Como típico filme de terror, a ambientação é clichê, como a própria mansão assustadora sem vizinhanças próximos, decorações bizarras, e jogos de luz carregados de sombra. Ao chegar na cidade, elas se deparam com uma história local, onde, sequestradores invadem a casa de famílias com crianças adolescentes, e os torturam dentro da própria casa. Beth, que sempre se interessou por histórias de terror e sonha em ser escritora do gênero, logo se interessa pela noticia. E, bom, a noticia não é apenas notícia – a família é atacada na primeira semana. 

Image from the movie ""

© Paris Filmes − All right reserved.

Ao longo do filme, o telespectador vai se ambientando gradativamente com o enredo, este que inicialmente se demonstra confuso, refleto de mistérios e reviravoltas. O publico acompanha a história principalmente sob o olhar de Beth, a filha casula, personagem introvertida, curiosa e muito crítica. Ambas as atrizes que a interpretam, tanto em sua fase jovem (Jones) quanto em sua fase adulta (Reed) fazem um excelente trabalho retratando a jovem. Pelo roteiro ser focado em sua forma de lidar com os acontecimentos, as atuações das atrizes são muito reagentes, a trazendo para mais perto do publico ao retratar a fundo seus medos, anseios e dificuldades em ser resiliente. Já Vera é um dos destaques do filme, a atuação de ambas suas interpretes são vivas, sentidas, pesadas. A personagem exige muita linguagem corporal, expressões físicas e resistência. O desempenho das quatro atrizes principais são tão destacáveis que constantemente faz o publico se indagar sobre a realidade das cenas vivenciais, e é apenas após o terceiro ato do filme que o telespectador consegue se situar.

Como elaborar um cenário tão real, brutal e amendrontador sem criar mecanismos de defesa próprios dificultam o elaboramento da vivência enquanto ela ainda acontece? Como lidar com nossos medos internos? Quais mecanismos de defesa criamos para nos auxiliar nesse processo? Reforçamo-os negativamente? Queremos fugir ou nos esquivar de algo aversivo para nós? Ao querer nos esquivar de uma vivência tão carregada emocionalmente, e funcionar, sem realmente tomar consciência da situação e elabora-la, muito provavelmente o comportamento será mantido e a frequência aumentará – se funcionou uma vez, vou querer usar mais vezes. E é esse o dilema que as protagonistas assumem. Mas como sair dele? Como carregar o pesado emocional dessas vivências?

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Mesmo em situações inumanas, Beth e Vera representam suas forças na imagem uma da outra – nenhuma das duas quer ver sua irmã sofrendo – e é pela persistência, amor e altruísmo que o filme retrata o desenvolvimento de duas protagonistas fortes, desfocando do horror vivênciado por ambas. Os vilões são o contra posto, totalmente genéricos, funcionam apenas como estereótipos caricatos de personagens sem desenvolvimento, motivações ou humanidade – apesar de ser inegável a presença de deficiência intelectual severa. Os vilões são os que mais precisam de ajuda no filme.

Demonstrando as consequências de um episódio traumático e a importância de cuidarmos da nossa saúde mental, A Casa do Medo: Incidente em Ghostland investe muito mais na ambientação, maquiagem cinematográfica e atuação, porém peca no desenvolvimento de seus personagens – conhecemos mais a fundo apenas Beth. Com violências nítidas a menores de idade, o filme se torna pesado e difícil de digerir – temas como agressão, tortura, molestamento, micção urinária, etc, compõem o longa.

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Para terem uma ideia da realidade da violência, a interprete da personagem de Vera criança (Hickson) feriu-se gravemente durante as filmagens, ficando com o rosto desfigurado. A atriz ‘ganhou’ uma cicatriz permanente de 70 pontos no rosto, afetando sua auto estima e fazendo-a recusar diversos papeis. O próprio diretor pediu para que Taylor batesse com força sua cabeça na porta de vidro, mesmo após a atriz mirim ter questionado a ordem do cineasta, a produção se certificou que não haveria problema em fazer a cena – porém, estavam errados. Sim, por via de conhecimento, a produção está respondendo processo.

Pesado e muito polêmico, A Casa do Medo: Incidente em Ghostland trás uma nova visão – necessária – para o gênero, mesmo que mantendo as características polêmicas e divisoras de opiniões do diretor.

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